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sábado, 18 de junho de 2011

Isso é que dá não saber escolher repertório

 O da estampa da camisa é esse mesmo que você está pensando.
Moz era fã dele. Acho que sabemos um dos motivos, né? rs.

Morrissey (Moz pra quem se sente íntimo) não pára nunca de intrometer na sua vida se você deixar. Hoje, pela manhã, como se não bastasse eu já ter acordado "tão bem", eu caio na armadilha de ouvi-lo e, como quem é convidado pra entrar, ele chegou sussurando assim:

There's gonna be some trouble 
(Haverá alguns problemas)
A whole house will need re-building 
(Uma casa inteira precisará ser reconstruída)
And everyone I love in the house 
(E todos os que eu amo na casa)
Will recline on an analyst's couch quite soon 
(Em breve se reclinarão no divã de um analista)¹


 "Nóis vêi inté aqui pa separá o joio do trigo, arre!"

Mas acho que meu aparelho de som, por mais máquina que seja, ficou com pena e, pra entornar um pouco de luz no dia que amanheceu meio sombrio, resolveu tocar Noah and the Whale:

It's the first day of spring
(É o primeiro dia de primavera)
And my life is starting over again
(E minha vida está começando de novo)
[...]
Like a cut down tree I will rise again
(Feito uma árvore cortada, eu crescerei novamente)
I'll be bigger and stronger than ever before
(Serei maior e mais forte do que antes)
[...]
There's a hope in every new seed
(Há uma esperança em cada nova semente)
And every flower that grows upon the earth
(E em cada flor que cresce sobre a terra.)²

Hoje tem churrasco pra eu ir. É dia de socializar. Rs.
--
1 - Morrissey - Now my heart is full.
2 - Noah and the Whale - The first day of spring.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Maio já está no final, e o que somos nós afinal?

Pra combinar com a laranja daquele outro post. 


Ontem, quando o primeio semáforo que há depois da autoescola abriu - dando aval para aquele dilúvio bovino passar no matadouro -, eu deixei o carro morrer e tive que ligá-lo às pressas porque vinham outros atrás. Não levei buzinada na cacunda (kkkkk) mas fiquei meio aflito. Hoje de manhã eu já saí de casa preocupado com isso, e pedi a Skinner 1 que não me punisse, porque eu já tinha aprendido com a lição, rs. Pois não é que o dito cujo me deu foi uma recompensa? Pela primeira vez, encontrei o sinal verde. Durante a aula eu errei baliza três vezes, o que deu margem pra que o "fidaégua" sentado no banco do carona afirmasse que "tá faltando pensar um pouquinho, hein, motorista?!", mas acertei as próximas duas. Na volta, o espírito de Nenê (como também é conhecido Skinner) foi mais uma vez generoso e eu encontrei o outro semáforo também verde. Chegando na autoescola eu me desesperei pra estacionar o carro no meio daquela muvuca de bicicletas e motos e pedestres e crianças com catarro verde escorrendo pelo nariz e limpando em mangas de blusas de frio já melecadas, o que deu vazão pra que o "fidaputa" sentado ao meu lado direito ralhasse comigo, dizendo que "cê demorou demais pra virar o volante, motorista, que negócio é esse? E essa sua embreagem hoje não tava funcionando, não?!". Não, não estava. Ela agarrou no seu ** quando eu apertei até o fim, babaca. Saí do carro, fechei a aula, e vim embora.



- O sinal...
- Eu procuro você...
- Vai abrir, vai abrir...
- Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
- Por favor, não esqueça, não esqueça...
- Adeus!
- Adeus!
- Adeus!2



Passei num mercado de verduras pequeno, coisa de duas portinhas, e enquanto escolhia limões - gosto muito em carnes e na comida -, ouvia uma música bonita ali dentro. A voz era masculina e o estilo era lírico. Lembrava um pouco o Josh Groban, mas eu duvidava que alguém aqui, e logo num mercadinho, conhecesse. Nem é preconceito, é estatística mesmo. 



Eu: "Isso é rádio ou CD?"
Ela: "É CD. Eu vi que você tava procurando de onde vinha o som" (e apontou, com sorriso no roso, pra um microsystem). 
Eu: "De quem é?"
Ela: "O CD? É meu".
Eu: "Não, digo, de que artista?"
Ela: "Ah, é Julio Iglesias. Eu adoro Julio Iglesias. Tenho três dele, mas quero pedir minha irmã pra gravar mais pra mim". 
Eu: "Achei muito bonita a música! E o estilo me lembrou um outro cantor que eu conheço".
Ela: "Quem?"
Eu: "Josh Groban. Ele é dos Estados Unidos mas canta em outras línguas além de inglês, tipo italiano".
Ela: "Ah, esse eu não conheço. Depois você me diz o nome do CD, e eu vou tentar comprar".
Eu: "Tudo bem, então. Até mais e obrigado".
Ela: "Até mais, e obrigado a você".



Fiquei feliz por ouvir uma coisa diferente em um lugar tão simples. Geralmente, o padrão é rádio tocando nunca-se-sabe-o-quê da terra do Tio Sam e sempre-se-sabe-o-quê, já que as músicas se repetem durante todo o dia. Acho que ela ficou feliz por alguém ter percebido a música , ter dito que gostou, ter se interessado em perguntar quem cantava e, ainda, conversar um pouco sobre aquilo em meio a bancadas de beterrabas, limões, pepinos, abobrinhas, cebolas, tomates, batatas, balança digital, gavetas do caixa, moedas, cédulas e sacolas plásticas. Mas saí de lá pensando "Oh meu Deus, eu gostei de Julio Iglesias. Eca!", kkkkkkkkkkkkkkkkkk. Isso sim foi preconceito. Mas tem gente que gosta, em alarde, de coisa bem pior (sem essa de relativismo hoje). Fato é que eu cheguei em casa e fui logo procurar na internet a tal música. Das mais de 400 disponíveis numa dessas rádios online, não é que eu escolhi a certa? Tinha entendido um "Te voglio bene" (valeu, Terra Nostra, rsrs) lá no mercado, coloquei no Google enquanto o início da música tocava e não dava pra distinguir se era ela mesma, e descobri que era. O nome dela: Caruso, que também é nome do cantor de "Una Furtiva Lagrimia", que nossa querida Maca 3 tanto gosta(va).

 

Te voglio bene assaie
ma tanto bene sai

é una catena ormai
che scioglie il sangue dint'e vene sai



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1 - Aquele carinha do behaviorismo, rs.
2 - Sinal Fechado - Chico Buarque.
3 - Macabéa (A Hora da Estrela).


terça-feira, 28 de setembro de 2010

O seu santo nome

ParkeHarrisson

Veio assim e eu não esperava mais ver. Sentou no banco quase de frente. Sem óculos. Sempre de tez tão branca! Olhou. Olhei. Gelei.  Disfarcei e fingi não olhar, mas foi só virar e re-olhei.

 My God what would the community think,
You are so beautiful, you are so beautiful.
All the things that people do in winter,
They all melt down in summer,
Things I never should say,
On a very hot day *

Sabe essa coisa de frio na barriga que se costuma atribuir à adolescência, mas que não nos deixa nunca, mesmo depois de um pouco mais velhos, especialmente quando há sentimento platônico envolvido? Tudo no objeto desejado é impecável. Pelo menos até o conhecermos de verdade. E a gente se põe lá embaixo. Ser stalker é ruim.

O que estraga é a idealização. O “tudo será perfeito”  é impossível porque a perfeição é imaginação que não consegue prever a espontaneidade dos acontecimentos, isto é, nunca viveremos um ideal, pois não prevemos os acasos do real.**

Entrou no ônibus, pediu desculpas a um passageiro por ter esbarrado, sentou. E eu olhei, admirando... porque com beleza, o que se faz é isso, em primeiro lugar. Todo mundo faz isso. Só não conta em blog.

Na volta pra casa fiquei pensando se é elogio dizer a uma pessoa que ela é bonita. Se ela nasceu daquele jeito e não tem como mudar, então a beleza que ela porventura tem foge ao poder dela, não houve esforço. Do contrário, dizer que alguém é feio também seria um elogio, quando nato. Um elogio talvez seja mais adequado a realizações, a feitos. O que diferencia pode ser a subjetividade da beleza. Eu acho e outros não. Vice-versa. Foi compreensível?

Mudando de assunto:

Escutei Julian’s Eyes, do Brett Anderson, o dia inteiro no mp4. E olha que não consigo manter o repeat  ligado.  Essa música sempre me parece um hino à beleza de alguém a quem se admira. Mesmo que não seja isso, gosto de pensar assim. Veja só:

Softening the winter with his eyes / Sitting in the meadow in disguise / Feeling his way, touching the stone / Watching the day through a telephone / Colors in the carnage of his hair / Lose it in the debris on the stairs / Feeling his way, touching her hand / Making his way to the bandstand / He's in the sky, he's in the tide / He's in the trees and the buzz of the night / Feet in the sand, watching life / Through julian's eyes / Softening the winter with his smile / Sitting in the doorway, counting tiles / Feeling way, touching light / Watching the day through quiet eyes / Elephants and spiders in his hands / Capital letters green and red / Feeling his way, making a start / Watching the day through cut glass / He's in the sky, he's in the grass / He's in the wind and the curve of the stars / Feet in the sand, watching life / Through julian's eyes.

É sempre perigoso atribuir aos outros o poder de ver por nós quando temos autonomia para isso. Mas aqui (na música) o teor poético é maior e não faz questão alguma, no momento, de conselhos terapêuticos. O que se deseja é entregar-se e ver a vida através dos olhos do objeto adorado. Ele está no céu, ele está na maré / Ele está nas árvores e no murmúrio da noite. / Pés na areia, vendo a vida / Pelos dos olhos de Julian”. “Ele está no céu, ele está na relva / Ele está no vento e na curva das estrelas (...). Um altar se ergue. Todos os elementos, distintos ou complementares, contêm o ser idolatrado. Aqui embaixo:  pedra, areia, relva. Lá em cima: vento, céu, estrelas. Julian é um ser híbrido. Sugere mistura de deus e homem, ligação entre céu e terra. Atribuíram-lhe poderes ao olhar, e as coisas se lhe renderam. Ele é o que amansou o inverno com os olhos e o sorriso e também o que suporta sentimentos densos (elephants) ou fugidios (spiders).

E mudando de assunto de novo:

Ontem, na biblioteca da faculdade, eu comecei a ler as Meditações do Descartes. Li a introdução pomposa que ele fez, sempre cuidadoso em agradar a igreja, dizendo que acredita em Deus, e a primeira das 6 meditações. Aliás, pra quem se interessa pela 'realidade fictícia' de Matrix vale a pena ler pelo menos esta parte. (Mas não vale pensar só em Matrix, hein! rs). Imaginar que o que se vê não passa de artifício, de sonho, é meio desesperador.

Mora na filosofia
Pra que rimar amor e dor... ***


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Últimos filmes: A single man, Sangue Negro, Último tango em paris, A fonte da donzela, Fanny e Alexander, O céu de Suely, Taxi Driver, Mundo Cão, Ocean Waves, Europa, Cães de Aluguel, Ondas do Destino.

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* Cat Power - What would the community think
**Viviane Mosé no Café Filosófico sobre o Nietzsche fala disso. Tem vídeo no youtube.
*** Samba do Monsueto regravado pelo Caetano no "Transa" - É o disco que mais tenho escutado ultimamente.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Rufus Wainwright - All days are nights

All days are nights: Songs for Lulu (arte da capa)



Foi pelo “Release the Stars” (2007) que eu conheci o Rufus e depois escutei o resto do trabalho dele. Desde então (a não ser pela tournê que fez com músicas da Judy Garland) não lançou mais nada. Eu estava com saudade de coisa nova.  A mãe dele, Kate McGarrigle, morreu em janeiro deste ano e o novo álbum é meio que um réquiem ou homenagem a ela. Todo composto para voz e piano, “All Days are Nights: Songs for Lulu” tem um tempo de duração equilibrado, 48 minutos. Isso ajuda a não deixá-lo cansativo. Tive uma primeira impressão ótima do álbum. Pra quem não suporta a voz do Rufus, sinto informar que continua a mesma. A boa notícia é que dá pra ouvir pouquíssimas daquelas sugadas de ar típicas dele. As letras e o clima são tristes, mas a voz e o piano são fortes. Nunca o ouvi tocar com tanta vitalidade. Parece que ele fez mesmo o trabalho que sempre quis. Se existe um toque de pop me avisem, porque eu só consegui escutar acordes complicados, semitons, uma pitada de dissonância quase experimental e contratempos. Nada de melodias fáceis de assimilar. Destaque (com marca texto verde,rs) para a trilogia dos sonetos de Shakespeare, não por ser algo inédito alguém cantar poemas, até porque não é mesmo, mas porque foram musicados bela e tristemente. Triste pra mim, em música, é elogio forte. Não sou emo, não, senhor(a)! É que sempre me parece que as músicas tristes não têm pressa de serem executadas. E pra quem tem paciência e tempo de parar pra ouvir, são degustadas de maneira bem melhor. Ah, e ele canta uma música inteira em francês (eba! Já estava me cansando de Complainte de la Butte). E acho que ouvi a tampa do piano (caixão da mãe?) sendo fechada no final silencioso da última música.


Edit (12 de Abril): Depois de ouvir mais algumas vezes o álbum todo, eu não dou mais tanto destaque para os poemas, e sim para outras músicas: a que ele escreveu pra mim,rs:"So sad with what I have"; A  desesperadora "Martha"; a 'placíbica' "What would I ever do with a rose" (como assim how it would ever get me high?); e Zebulon (where have you been zabulon - isso me lembra "Por onde andará Stephen Fry/Dulce Veiga. Freedom is apparently all I need. But who's ever been free in this world?). A que eu menos gostei é a saltitante e que tem título de 'eu sou mimado' "Give me what I want and give it to me now". As letras talvez nem sejam tão tristes assim. Estão tratando de assuntos menores, ou então é a impressão que eu tive quando me lembrei das outras letras dele, que falam sobre cidades e monumentos, coisas mais abrangentes e megalomaníacas. Agora ele está... sereno, íntimo, minimalista. É, é isso.

domingo, 28 de março de 2010

Dominique A - La Musique

Foto: minha. 

Descobri, anteontem, um cantor chamado Dominique A, baixei “La Musique” (2009), gostei. Acho que finalmente encontrei algo mais degustável desde que me indicaram Noir Désir. Aí vão as as primeiras impressões:

01 (Le sens) – Palminhas eletrônicas. Tumtum-tá - Tumtum-tá. Andam fazendo versões da letra de “I’ve seen it all” direto do Björkês. Rsrs. (J'ai tout essayé / J’ai voyagé, j’ai cru / J’ai nagé nu / mais bien sûr si j'y pense / tout ça n'a pas grand sens. / Peut être ne suis je pas né / peut être ne suis-je qu'absence / tant que ne m'est pas donné le sens*)
(E se tudo o que se sente, pensa, vê, tateia, escuta, não passar de artifícios da mente? O que há para me garantir que o que se chama de existência de fato existe num plano real? Por que é que ações como conversar, escrever, “tocar as chagas”, me dizem que eu vivo?” E aí me contaram que algum filósofo (é, não me lembro qual) disse que a gente pode estar vivendo um constante sonho. E depois eu li “A Náusea” do Sartre, me senti em casa, mas também mais confuso, porque comecei com uma pergunta e terminei com 1000.)

02 (Immortels) – A letra é do Aquiles?(Tróia) rs. Ou então ele está se achando “O elfo tolkieniano”. (je ne t'ai jamais dit / mais nous sommes immortels. / Le savais tu déjà / avais tu deviné / que des dieux se cachaient / sous nos faces avinées**) Sou só eu que vê vampirismo em tudo? (Et qu'il y avait du sang / qui ne sècherait pas / tu me donnais la main / pour boire de ce sang là***)

03 (Nanortalik) – Na hortaliça. Rsrs. Mistura de Legião com Morrissey. Existe? Contrataram um elefante pra fazer backing vocal! kkkkkkkk. Pelo menos samplearam.

04 (Qui-es tu?) – Voz etérea, distorções ‘ETéicas’, letra ‘aliceana’. “Quem é você?, perguntou a Lagarta”. (Mais qui es-tu? / Mais qui es-tu? / Mais qui es-tu? ' ). Enigmática.

05 (Hasta (que el cuerpo aguante)) – Violão tá nervosinho, tá? Tenho preconceito contra frases em outro idioma na música. Ou tudo ou nada. E ainda me vem com espanhol,rs. “il ira, ira, ira ira, hasta que el cuerpo aguante”.

06 (La musique) – Ritmo bom. Bem, bem séquissi, rs. Não consegui entender uma frase inteira sequer, mas a música é boa. Garanto.

07 (Je suis parti avec toi) – Jack Johnson puro nos primeiros 5 segundos. Agora mudou bastante. Efeitos tipo guitarra bem suja (Mansoooooon huahua), batida de lata. Muito, muito ritmo! (Je suis parti avec toi sans te le dire, un beau matin / Et je ne t'ai jamais rejoint / Ni plus jamais touché tes doigts / A chaque endroit où tu allais...' ' ). Jacques Prévert(Le déjeuner du matin), Placebo(Follow the cops back home), Mr. & Mrs. Smith.

08 (Le bruit blanc de l'été) – Ah não, tudo menos calypso! rsrsrsrs. Até que se fosse “O barulho branco do inverno” eu entenderia melhor a sinestesia, mas “do verão” não entendi. Eu acho que ele teve uma “bandescência” (banda de adolescência) mal resolvida. Tá querendo ser jovem com esse sonzinho. Mas ok: bem legal de ouvir.

09 (Des étendues) – Chanson triste! Sons pra viajaaaaar em souvenirs... *balança a mão pra lá e pra cá and cryyyyy, eminho malacabado, cryyyyy* kkkkkkk.

10 (Les garçons perdus) – Viu, não é só o D2 que canta sobre favela,rsrsrs. (Tous ces garçons perdus ne rient jamais / Ils jettent pierre' ' '). São doidos de pedra. Rufus “... or scrappy boys faces have general run out of town” (Cigarretes and chocolate milk), Peter Pan (the lost boys).

11 (Hotel Congress) – Deve ser o mesmo Hotel de ‘O Iluminado’ (Kubrick), ou então o ‘California’ (Eagles), ou ainda o Atlântico (Noll). Voz de tele-sex. Arranjo triste. Toquinho de música de exército. Três acordes apenas fazem muito. ('You know, my friend, sometimes less is more' - Molkito tirando pateticamente o Groisman,rs)

12 (La fin d'un monde) – Tango!!! Na primeira ouvida: ótimo. Depois, detectei um sotaque árabe,rs. Gosto de música árabe, mas somente quando sei que é! Rs. Fecha com chave de “existencialismo” escatológico: (Dans la lueur du soir / Tu auras vu la fin d'un monde / En attendant plus tard / Occupe toi des prochaines secondes' ' ' '). * Edit. 02/04/2011: Dans le fond d'une armoire / Des photos comme des coups de sonde.' ' ' ' ' (A paixão segundo G.H.)




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* De tudo experimentei/viagei,cri/nadei nu/mas quando penso nisso/nada faz muito sentido./Talvez eu não tenha nascido/talvez eu seja apenas ausência/por isso não me foi dado o sentido.   ** Eu nunca te disse/mas somos imortais./Você já sabia/adivinhou/que os deuses se escondem/atrás de nossos rostos bêbados   *** E que havia sangue/que não secaria/você me deu a mão/para beber daquele sangue.   ' Mas quem é você? Mas quem é você? Mas quem é você?   ' ' Eu saí atrás de você sem te dizer, numa bela manhã/E não voltei a me juntar a ti/nem sequer tocar seus dedos/em cada lugar que vais...   ' ' ' Todos estes garotos perdidos não riem jamais/Eles jogam pedra.   ' ' ' ' Na luz do entardecer/Tu verás o fim de um mundo/Ao esperar mais tarde/Ocupe-se dos próximos segundos.   ' ' ' ' ' No fundo de um armário / Fotos como indagações.

(Esse esquema de comentário sobre um disco é inspirado no do blog de uma pessoa querida que ... 'partiu'.)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Motohiro in the Rain (everybody sing along)

Sophia Coppola - Lost in Translation, 2003.


Ar fresco, baixa luminosidade, música no headphone. Costumo caminhar sozinho à noite . Pra mim, que fico muito dentro de casa, é ótimo, principalmente quando me irrito com algumas situações. Ver o movimento dos carros e saber que existem pessoas lá fora que vivem enquanto você também vive mas não vivem o que você vive, é ótimo. Há poucos dias, descobri um cantor que não canta mas só toca chamado Motohiro Nakashima. Baixei o cd "I dreamt constellation sang" e fui escutando enquanto caminhava. Uma das faixas (a 12) é hipinótica e triste - 'Starbright Reflected in the River'. No começo, violãozinho base quase valsa, solinhos-pra-ficar-triste-e-reflexivo de guitarra. No meio, trumpete(?) sexy, sintetizadores(?) de o.v.n.i.'s rs,  bateria comedida e educada. No final, bateria calada, baixo acústico silencioso, macio, com a madureza dos antigos. Recomendo pra quem gosta de música instrumental e down a la Sigur Rós, Colleen e cia. rs.  Outra música bem gostozinha que ouvi também é "Asleeping in the Sunshine", que tem sonoridade um pouco mais ritimada que a anterior, mas a bateria é mais leve, além de não ter o sopro. E se você não caminha, tudo bem, faça como eu faço às vezes: pegue um ônibus até o centro da cidade e volte em outro, ouvindo música, só pra poder flanar um pouco e desintoxicar as vistas - isso se você não morar em Tóquio e não tiver, à sua disposição, um trem bala pra se sentir perdido(a) feito a Charlotte de Lost in Translation.

*Primeiro post, um "post debut", mas sem cerimônias.*