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sábado, 28 de maio de 2011

Não sou o Messias, mas trago novas...

 Há quem sofra críticas por admitir que gosta dele.

Andam, em sonhos, me assombrando. Pessoa antiga. Diz desdenhosa coisas como "fica ele lá, escutando o 'amaaado' Caetano. Não sabe de nada, não é prático. Quero ver o que vai ser!" enquanto subimos as rampas do Niemeyer*, descemos escadas estreitas de madeira, evitamos nos olhar e deixamos alunos pequenininhos passarem rumo às salas de aula.

E agora estamos aqui
Do outro lado do espelho
Com o coração na mão (...)**
 [Esperando que Jaguadarte o deixe em farrapangalhos (?) rs.]

De um pote cheio de rosquinhas bem crocantes eu tirei uma e comi. Na hora de escolher a segunda, procurei a menor, mesmo tendo olhado e desejado a maior. E deu um click: Sempre o receio de ser considerado esperto, egoísta, afoito e esganado, e a vergonha da associação com a minha imagem. Então, mesmo que eu pegue 20 pequenas, a mais vistosa é sempre deixada por último, pra que alguém que não tenha vergonha de ser esperto e seletivo a pegue e me livre da escolha - e para que o meu arrependimento cíclico recomece. Mas oh... como isso está mudando!!!

Slightly bemused by the total rejection
Dreams of a place with a better selection
Dreams of a face that is pure as perfection ***

Estive dançante esses dias. Mas faço mais mudras epilépticos com o corpo do que uma dança propriamente dita. Deve ser por isso que é tão catártico. Que nada, né? É só porque gasta um pouco de energia e libera endorfina mesmo, rs. Estou fazendo aulas de direção de carro (aleluia!) e fico tenso durante todo o tempo. Então, só por dois dias, senti vontade de chegar em casa e ter uma válvula de escape. O repertório é curto e já conhecido, mas as músicas foram as mais agitadas de Beirut (como Brandenburg, que parece um terreirão de macumba com maracatu), Placebo (tipo Brickshit House e You Don't Care About Us) e Björk (Earth Intruders).

You're too complicated, we should separate it.
You're just confiscating, you're exasperating. ****

Ahhh!!! Duas coisas pra contar: Num sábado, fui em um churrasco que teve muito coração de galinha, carne de boi, linguiça e asa de frango, três pessoas divertidas e inteligentes, bem como uma adolescente que foi dormir mais cedo, vinho tinto seco e branco suave, e um tal de Trivento (argentino) que eu gostei muitão, e trilha sonora com coisas que eu gosto. Na semana seguinte, fui em um rodeio e no show de Cézar Menotti e Fabiano! rs. Balancei um pouco, cantei (berrei) as músicas. Me diverti muitíssimo. Quem não me conhece, aposto que acreditou que eu sou fã dos rolicinhos. Sério! Ainda que não tenha encontrado, cacei! E vi conhecidos e conversei, e ri e critiquei, kkkkkk.

I beg you my darling
Don't leave me
I'm hurting (...)
You're not rid of me
I'll make you lick my injuries *****

I put a spell on you
Because you're mine. (...)
I don't care if you don't want me
'cause I'm yours anyhow. ******

Sabe... eu posso até ficar triste, mas não sou, definitivamente, desses de sair gritando essas coisas (tipo as dessas músicas aqui em cima) por aí. É querer se humilhar. Bom é voltar a gostar do que sempre se gostou.

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Últimos Filmes: Dias selvagens; Felizes juntos; 2046 - Os segredos do amor; A conversação; Dersu Uzala; Entre no vazio; Violência gratuita; A partida; Tio Boonmee; Lady Chatterley; Gênio Indomável; Maurice; XXY; e curtas (Comida; Dimensões do diálogo; Meat love; Código Tarantino; A casa de pequenos cubos).

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* Ontem assisti na TV um documentário sobre ele e acabou fazendo parte dos sonhos.
** Onde o Rio é Mais Baiano - Caetano Veloso
*** Burger Queen - Placebo
**** You don't care about us - Placebo
***** Rid of Me - PJ Harvey
****** I put a spell on you - Screamin' Jay Hawkins (mas eu conheço pelo cover de Marilyn Manson)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Quem com faca fere...


Perceberam que os serial killers viraram celebridades? Uma psicóloga brasileira, que até escreveu um livro sobre como reconhecer um psicopata (livro bem tché-tché inclusive) disse, numa entrevista no Sem Censura, que o Maníaco do Parque era o campeão de cartas recebidas. Várias propostas de casamento foram feitas a ele, teve seus 15 minutos de fama na TV, fez e aconteceu. Em Six Feet Under, no episódio “The Foot” da 1ª temporada, a Claire mencionou um tal de Jaffrey Dahmer. Procurei no Google a respeito do bom rapaz e descobri que apesar de bonito e calmo, cortava o pênis dos seus parceiros e os guardava numa caixa, cozinhava a cabeça para que a pele soltasse mais facilmente do crânio e os pintava, expondo-os como troféus, e também comia a carne dessas vítimas. Depois de preso, foi assassinado por um colega de cela.  Outros indivíduos desse tipo que vieram até mim, foram a dupla sertaneja Eric Harris e Dylan Klebold. Soube deles pelo noticiário, claro, mas li sobre o caso principalmente pela relação que fizeram, na época, dos assassinatos com o Marilyn Manson. Acontece que os carinhas decidiram metralhar seus schoolmates porque sofriam de bulling. Mataram cerca de 14 estudantes no Instituto Columbine, no Colorado, EUA, em 1999, e depois se suicidaram. Alegou-se, na época, que a dupla escutava um tipo de rock agressivo que pode tê-los influenciado. Dentre as bandas prediletas estavam KMFDM e Marilyn Manson. O acontecimento rendeu um documentário do Michael Moore (Bowling for Columbine) e um filme ótimo do Gus Van Sant (Elefante). Dahmer era homossexual. As más línguas diziam que Harris e Klebold também trocavam figurinhas. Em “Elefante”, os personagens que os representam tomam banho juntos e se beijam. O corte da cena logo após esse fato permite pensar que algo mais aconteceu.

Shoot shoot shoot motherfucker
Shoot here and the world gets smaller ¹

Boa parte desses indivíduos que não se encaixam no comportamento natural e que seguem um próprio código, acabam revelando desvios sexuais também. E eu suspeito que a ficção retratou esse lado. O seriado “Dexter”, o qual por um bom tempo eu assisti sem muito ânimo, mas depois me viciei, e engoli 4ª temporada, com 12 episódios de 50 minutos cada, em apenas um dia, mostra os dois lados da vida de um psicopata que trabalha para a polícia de Miami. Fizeram muitas adaptações de um assassino em série de verdade para um personagem, é claro, afinal se trata de ficção, até romancezinhos-água-com-açúcar tem.  Dexter me faz lembrar dos vampiros da Anne Rice. Acho que eles têm coisas em comum: escondem sua verdadeira identidade; fingem o tempo todo reações e sentimentos que costumam não ter; espiam e perseguem as vítimas; quando estas lhes interessam, estudam-nas meticulosamente; tentam fazer parte do círculo social delas; e, por fim, após essas preliminares, chegam ao orgasmo, cravando-lhes algo no corpo que permita ao sangue/gozo jorrar (no caso dos vampiros, as presas; no caso de Dexter, a faca). O assassinato é o coito desses personagens. Nada lhes dá mais prazer. Louis, o narrador de Entrevista com o Vampiro (Anne Rice), afirma que, apesar de atacar mulheres, as vítimas preferidas de Lestat eram jovens rapazes. Por um lado, Dexter leva uma pacata vida de namorado e, no decorrer da série, pai de família, mas só alcança o êxtase supremo do seu desejo mais oculto quando alivia as tensões ao esfaquear e esquartejar suas vítimas, todas elas homens, escolhidos a dedo.

Got my lunchbox and I'm armed real well
Next motherfucker gonna get my metal ²

A ficção te permite tal distância da realidade que às vezes me sinto culpado por gostar de assistir a um assassino dilacerar a vítima em nacos de carne e querer mais cenas de horror. Mas aquele sangue fictício, feito de groselha, rsrs, e os jogos de câmera que simulam uma arma fria abrindo caminho na carne do ator, não são páreos para um Dahmer da vida, que fez isso:

(se tiver estômago fraco, já sabe que não deve clicar, não é?)

Já me imaginei cortando alguém. Não gostei das imagens que me chegaram do além,rs. Hoje, eu cortei carne de porco em cubos para o almoço. Raramente faço esse serviço. E digo: a sensação não é boa, principalmente quando ela está em temperatura ambiente e o tato sente os gomos de tecido e músculo sendo partidos. Preciso de outra profissão. Não sirvo pra ser Dexter.

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1- Marilyn Manson - The Reflecting God
2- Marilyn Manson - Lunchbox